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  BEM VINDO (a) A POEMAS DE AMOR E DOR  
 

     O amigo Luís Gonçalves – criou o “site” que tanto sonhava, num gesto verdadeiramente inesquecível 

     Os “ POEMAS DE AMOR E DOR” ficam a partir de agora, também, alojados no servidor da PAMPILHOSA DA SERRA. Este é o Concelho onde passei o meu tempo em menino – na PÓVOA e onde o meu pai, José Augusto Simões e os meus queridos avós paternos nasceram. 

     Perguntarão: por que razão fico feliz em concretizar o sonho de ter um site, se tenho um blog com tanta audiência? 

     Como muitos sabem, a doença de Parkinson apanhou-me o lado esquerdo! Agora começam a surgir os primeiros e ligeiros sintomas da Parkinson na minha mão direita, por exemplo quando faço a barba. Dir-vos-ei que quem sofre de Parkinson tem de estar preparado para o pior.

     Deste modo, face a esta nova mas prevista situação:

- Fico mais lento e começa a faltar tempo para a manutenção do blog; 

- Sinto uma enorme tristeza pela aparente descortesia quando não respondo aos comentários; 

- Vergonha, por não retribuir as visitas e não criar links para os meus amigos virtuais da blogosfera; 

- Passo mais horas ao computador! Quer dizer – mais fadiga física, maior solidão e menor apoio a familiares (recordo que ainda não me aposentei e os portugueses sabem bem como é difícil consegui-la, apesar da doença);

- Não tenho espaço para ler os livros que queria e nem sequer há espaço para a fisioterapia;

- Sinto uma enorme amargura por que nem sempre conseguir agarrar os poemas que se escapam por entre os dedos…

     Por tudo isto, e por muito mais, estou grato ao Luís Gonçalves e à Pampilhosa da Serra por me acolherem como filho. 

     E se sou filho de serranos, serrano eu sou! 

      Por ser serrano já senti e sinto a dureza da luta travada entre as forças da natureza e o povo serrano, da Pampilhosa da Serra. “Os Poemas de Dor” recordam quem na dor teve de construir as leiras, no Xisto, para depois as abandonar e partir em busca de uma vida melhor

      Os Poemas de Amor” falam de poesia com delicadeza e com a candura dos serranos. Com a nobreza das atitudes e o sorriso do dever cumprido. Na amizade e na solidariedade. Perdem-se nas palavras, na honestidade e na honra. Incitam a coragem e acreditam na esperança. Falam de amor e incentivam a união entre os povos. Querem a paz odeiam a guerra. 

      Porque a água da serra é cristalina e continua a beijar e a lavar as lágrimas!

     Porque os pinheiros renascem por onde o fogo lavrou! 

     Porque a urze e a giesta cresce sem serem semeadas!

     Porque o povo da Beira serra dá tudo quando é levado a bem!


     Não eram estas as palavras que eu deveria aqui colocar para vos receber! 

     Aqueles que se incluem nos mais de 2 milhões de acessos aos “POEMAS DE AMOR E DOR”, no Sapo, desde Março de 2004, sabem que os poemas que escrevo revelam, sem o dizer, o que acabo de escrever. Estas palavras dirigem-se àqueles, e são muitos, que sofrem muito mais do que eu sofro. A todos os que passam a vida entre quatro paredes, na solidão, no abandono. 

     Os mais idosos que vivem na Pampilhosa da Serra, e nas suas tão esquecidas aldeias, que minimamente vão conseguindo andar por seu pé, apesar das vicissitudes, sei que preferem ali viver a serem colocados em outros locais, a que chamam de lares. 

     Na aldeia do meu pai, na Póvoa, há tempo para tudo naquele grande lar humanizado e ao ar livre – Homens e mulheres juntam-se na casa do povo: jogam às cartas, conversam, convivem e ainda a limpam e a conservam. Depois ainda cuidam das pequenas hortas, onde semeiam, cavam, colhem, e respiram. 

     Para quem não queira, ou não possa viver assim, existe como alternativa, na Pampilhosa da Serra, uma casa grande, de tipo familiar, cuidada e humanizada que os acolhe.

     Para aqueles que não sabem ou não a conhecem, a Pampilhosa da Serra é uma parte significativa do pulmão de Portugal e por ali corre e nasce muita da água que chega a Lisboa. 

     O grande problema está na desertificação que aquelas terras sofreram, e sofrem, por falta de postos de trabalho e no envelhecimento da população. Mesmo assim, sei que muitos emigrantes regressaram, de idosos, que viviam nas grandes cidades, que também o fizeram em definitivo ou repartem o tempo entre a cidade e a aldeia. 

     Estou certo, com um pouco mais de visão política do poder central muito mais poderia fazer para melhorar a qualidade de vida deste povo. A Pampilhosa da Serra permanece esquecida e por mais que os autarcas locais queiram fazer não podem. 

     Parece contradição o que escrevo. Não é! O povo Serrano está habituado a viver com pouco, está habituado a partilhar e a conviver. Na Póvoa o lema é “VAMOS TODOS COMOS OS DA PÓVOA” e porquê? Simplesmente por ser um povo unido, tanto para enfrentarem o mal como para fazerem o bem. 

     Vou terminar! Esta é certamente uma forma diferente para proceder à abertura do livro de comentários aos meus poemas. Faço votos que os meus poemas possam agradar a quem vier por bem. 

     Quero agradecer tudo o que por mim fizeram e dizer-vos que deposito esperança que o governo central venha a disponibilizar computadores prometidos com internet gratuita e televisão por satélite para as casas do povo. 

     Que não acabem com o Hospital, com o Tribunal e outros serviços públicos que o povo ainda necessita. Os custos da desertificação são superiores aos benefícios com a propagada diminuição da despesa… 

     SEJAM BEM-VINDOS aos POEMAS DE AMOR E DOR.



Por vós e para todos vós,

Rogério Martins Simões



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